O Espírita

Divulgação da Doutrina Espirita

Aprendendo com o outro

Aprendendo com o outro

Refletir sobre os compromissos espirituais na conduta da maledicência.

 

O estudo psicológico da atitude de maledicência pode nos revelar uma complexa rede de conexões com os mais variados estados emocionais. Alguns sentimentos muito conhecidos encontram-se na base da ação de maldizer, como, por exemplo, a inveja, o ciúme, o orgulho e a mágoa que impulsionam a língua para a ação de ferir com o chicote da calúnia, da intriga, da mentira e da maldade.

Esses sentimentos, por sua vez, podem ter como causa, em várias situações, a nossa extrema dificuldade de aceitar e entender os padrões de conduta humana de outrem, constituindo isso uma das mais influentes forças nessa cadeia emocional da maledicência. Tais padrões de comportamento fazem parte da vida de cada um de nós. São programações mentais que influenciam, determinam ou qualificam o nosso modo de ser, tornando-nos diferentes uns dos outros.  
O exame desta perspectiva da maledicência conduz-nos a um circuito seqüencial nessa ordem: desconforto com a diferença – apego ao padrão pessoal – rejeição – julgamento – maledicência. Vamos analisar um a um.

DESCONFORTO COM A DIFERENÇA - Devido ao nosso velho reflexo de egoísmo, reconhecer e aceitar diferenças é um movimento mental muito desconfortável. Por essa razão, nossa tendência, perante tais diferenças, é ser indiferente ou rejeitar tudo que não esteja na órbita de nossas concepções e pontos de vista. Aqui nasce o pré-conceito.

APEGO AO PADRÃO PESSOAL – Todos possuímos padrões pessoais como garantia de nossa própria direção perante a vida. Com base neles, fazemos escolhas, pensamos, agimos e sentimos. Todavia, o apego apaixonado aos nossos padrões é um mecanismo do orgulho que cria a ilusão de superioridade acerca do certo e do errado. 

REJEIÇÃO – É a repulsa emocional àquilo que vai além desses limites do entendimento pessoal e torna-se reprovável ou não aceitável.

JULGAMENTO – Além de rejeitar, nosso apego ao padrão pessoal, ainda nos faz automaticamente rotular, ou seja, julgar o que não entendemos. E, na maioria das vezes, o não compreendido está em equívoco, portanto, para nós é errado e merece ser criticado e não é verdadeiro.

MALEDICÊNCIA – O que não é reconhecido ou aceito torna-se alvo de nossa ação de maldizer. Os padrões alheios, que em nosso julgamento, são errados ou não aceitáveis, merecem censura, menosprezo e terminam recebendo alguma ação agressiva de reproche ou desvalor.

No livro “Que Perdoa Liberta” temos um caso muito interessante, a história de Benevides, um espírita valoroso das frentes de serviço social em favor das crianças, que derrapou drasticamente no mau hábito da maledicência. Sua história, construída pelo preconceito, terminou em lamentável quadro de doença no mundo espiritual.

Segundo José Mario, o autor do livro, durante toda a sua narrativa em “Quem Perdoa Liberta”, ele destaca a importância da MISERICÓRDIA como sendo nosso alvará de liberdade, diante das nossas dificuldades de aceitar o próximo e seus padrões pessoais nas relações humanas. Misericórdia em sua abordagem significa extrair o lado luminoso de tudo e de todos, destacar o melhor que existe em toda parte, mesmo quando não compreendemos as particularidades de alguém ou de alguma situação. Perdoar em suas anotações tem o sentido de ACEITAR. E aceitar não significa concordar ou ter que aprovar, mas não permitir que a sombra existente em nosso íntimo se apodere de nossa vida mental perante o que ainda não compreendemos, acionando a língua para denegrir.

Se tomarmos o circuito comportamental acima para analisar os assuntos de família, as questões que envolvem a comunidade espírita ou quaisquer grupos nos quais estejamos inseridos, teremos uma sólida ferramenta para entender os motivos pelos quais nós ou outras pessoas adotamos nossas verdades pessoais como verdade absolutas. E diante dessa atitude de prepotência, a título de sermos habilidosos analistas dos problemas humanos, saímos por ai usando uma tóxica maledicência e, ainda por cima, polida pelo verniz das concepções doutrinárias, a fim de diminuirmos as ações e opiniões alheias que não condizem com nosso padrão pessoal.  

Sigamos juntos, pensando e aprendendo sobre o tema, e para dar um tempo às nossas reflexões…  Assentemos juntos para tomar uma boa e fumegante xícara de café…

Wanderley Oliveira

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